“Vamos de novo” – e lá estou eu ficando rouca, cantante por vocação, pedindo mais e mais vezes, ajeitando mínimos detalhes e apertando a sobrancelha e testa, receiosa de estar sendo chata, perfeccionista ou cabeça-dura. Concluo que é só paixão desesperada e ansiedade de quase um ano acumulada.
Dou o meu melhor e um tanto mais, inchando feito músculo na academia meu órgão de expressão e criatividade, alongando minha coluna e dedicação. Meses se passaram. No fiel diário escrito à mão durante a feitura desse disco, o primeiro ensaio para o show marca dia oito de outubro de 2011. Se ontem foi dia 9 de maio, são exatos e doloridos 2015 dias atras, mastigando meus sentidos até casa das centenas em dias de angústia, de pura espera que ocupei com todos os possiveis preparativos para a retomada dos meus ensaios.
É como se eu tivesse me esquecido por esses meses que estive afastada da saúde.
Dormia dias seguidos.
Sei do meu jeito desmemoriado mas, esses meses foi diferente. Constato com certeza e convicção de que não há mais que algumas dezenas de recordações desse tempo ( isso porque não conto as más lembranças, claro). Eu não ví passar. Passou que nem vento litorâneo. Na frente do mar nada vinga – alguém me disse um dia.
Acho que eu devo ter dormido de frente pro mar, de barriga pro mar.
Deve ser porque a água limpa demais. Ainda mais com sal, ainda mais tão vivo e vibrante, tão terra, tão verdadeiro…
Meu negócio é tocar guitarra e nadar de roupa.









