Ensaio ontem, ensaio hoje


postado em por mallu


“Vamos de novo” – e lá estou eu ficando rouca, cantante por vocação, pedindo mais e mais vezes, ajeitando mínimos detalhes e apertando a sobrancelha e testa, receiosa de estar sendo chata, perfeccionista ou cabeça-dura. Concluo que é só paixão desesperada e ansiedade de quase um ano acumulada.

Dou o meu melhor e um tanto mais, inchando feito músculo na academia meu órgão de expressão e criatividade, alongando minha coluna e dedicação. Meses se passaram. No fiel diário escrito à mão durante a feitura desse disco, o primeiro ensaio para o show marca dia oito de outubro de 2011. Se ontem foi dia 9 de maio, são exatos e doloridos 2015 dias atras, mastigando meus sentidos até casa das centenas em dias de angústia, de pura espera que ocupei com todos os possiveis preparativos para a retomada dos meus ensaios.

É como se eu tivesse me esquecido por esses meses que estive afastada da saúde.

Dormia dias seguidos.

Sei  do meu jeito desmemoriado mas, esses meses foi diferente. Constato com certeza e convicção de que não há mais que algumas dezenas de recordações desse tempo ( isso porque não conto as más lembranças, claro). Eu não ví passar. Passou que nem vento litorâneo. Na frente do mar nada vinga – alguém me disse um dia.

Acho que eu devo ter dormido de frente pro mar, de barriga pro mar.

Deve ser porque a água limpa demais. Ainda mais com sal, ainda mais tão vivo e vibrante, tão terra, tão verdadeiro…

Meu negócio é tocar guitarra e nadar de roupa.

foto MARCELO CAMELO

foto MARCELO CAMELO

 

 



sempre dá pra ser mais kawaii


postado em por mallu


 

Meu fascínio pela cultura japonesa, suas gueixas, mangás e animés, me ensinou que sempre dá pra ser mais fofo, mais legal, mais kawaii !

(até mesmo no azulejo sem graça do banheiro da casa alugada)

 



Marilyn


postado em por mallu


Já devo ter feito um post sobre  ela. Posso não ter redigido e publicado mas, tenho plena ciência que ela é senhora de um grande terreno dentro de mim.

E ontem eis que estreia o filme no cinema aqui da frente de casa.

Chegada de viagem, curei o cansaço com uns goles de mate e segui para a sessão das 17h20. Lotada. O único lugar que sobrou era na fileira G no horário das 19h20. Eu  já tinha chegado cedo, para não ter perigo de ficar sem ingresso. Mal passava do almoço e lá estava eu, vagando na livraria por horas e horas, de tão decida que estava de que aquela noite eu veria o tão aguardado filme.

Três horas numa livraria, pra mim, não é muita coisa , muito menos tempo demais. Aproveitei. Li trechos, aceitei sugestões, sentei no chão e lí até ficar com dor de cabeça.

Quase na hora, levantei já salivando pela incrível pipoca de cinema. Segui, levei um pacote grande de novas informações em livro e CD e, com a outra mão, comprei a pipoca e renovei o estoque de chicletes.

No ingresso, vinha escrito “meia-entrada”. Argumentei com a atendente, me oferecendo para pagar a inteira, não sou estudante nem novinha demais, nem nada. Mas acho que ela ficou meio com pena dessa moça sozinha num domingo a noite, de alpargatas, roupas largas, sem seios ou hormônios nos olhos. Sorriu carinhosa – bobagem – falou baixinho.

Sentei ansiosa e mastiguei um pacote todo de chicletes com medo de atacar a pipoca. Odeio quando começa o filme e eu já acabei com as maravilhosas bolinhas crocantes de milho, sal e oleozinho, em formato de nuvem.

Os casais se beijavam e, por sorte, a pessoa na poltrona ao meu lado faltou, o que me possibilitou cruzar as pernas como índio, sem sapatos. O filme começou.

 

Chorei nas tantas vezes que senti o sofrimento daquela figura humana tão inatingível e surreal. Por alguma razão, o filme me levou a crer que a intensidade de Marilyn Monroe é fruto de um viver absurdamente atirada. Como se sua infelicidade tão profunda fosse irmã do sentimento de inadequação e filha da incessante busca por ser amada, já que carregava o vazio de ter lhe faltado um colo de mãe o costas de pai.

E eu que me sentia vulcânica, passei a me considerar até que equilibrada.

 



ontem na brasa


postado em por mallu


Emoção total. Só alegria.

Admito um certo alívio. Sete meses completos de espera, vontade, angústia, ansiedade, ensaio, planejamento, sonhos… E pronto, lancei, no placo, minha terceira turnê.

Nunca tinha ficado tão nervosa. Não conseguia parar quieta. Rolava um clima de apreensão, claramente, em toda a platéia e músicos. Os amigos que torciam por mim e também esperaram esses meses todos. Olhava em volta que torcia para que desse tudo certo.

Mas, quando olhei para o chão e vi o set list impresso, sem minha anotações de tom, mapa da música, letra, lembretes e todas as colinhas necessárias, apavorei. E desisti. Desisti de não confiar em mim . Em mim e em todos os meus estudos em casa, minhas listas e planejamentos de ordem das canções. Ah, minhas horas extra de ensaio !

Pode ser um post meio narcisista este hoje mas é dormi muito orgulhosa. Adoeci, quis sarar, sarei, quis tocar, toquei, quis vestir, vesti, quis dançar, dancei, quis   rir, ri.

Agora é torcer e esperar passar na MTV.  A única coisa que já achei na internet são fotos da gravação ( clique aqui para ver o site de Andre Camargos ) .



PITANGA NO PALCO


postado em por mallu


Nunca tocamos Pitanga num palco. Claro que estou nervosa. A gente tem ensaiado muito mas, ontem, Rodolfo, que ocupa a posição de percussão, trompete e flugel ( e chega, até, a tocar guitarra), não pode ir mas, fiquei contente em sentir que as músicas, apesar de incompletas, mantinham-se firmes e vivas.

Acontece que estou esperando para tocar esse meu show ha meses. Estudei japonês, aquerela, assiti filmes, li livros incríveis mas nada fez o tempo correr. Minha pressa por sarar me curou depressa mas não tão rápido. Foi cerca de seis meses de espera. De angústia, de vontade.

Tremo os joelhos. Estou à mil. Um minuto é tempo demais hoje. Porque hoje levarei tudo que vivi , levarei ao vivo, direto para a tevê.

Precipitado, talvez, já “de cara” para as câmeras. Mais medo ainda. Meu coração pula, coitadinho.  Roí as unhas até da mão direita e, apesar de ter dormido tarde,  antes das cinco da matina, lá estava eu e meus neurônios nervosos e  acordadissimos na cama. Esperei ate umas cinco tentando incansável e inutilmente atender à necessidade de dormir um pouco mais.

São Paulo é um tanto seco, a garganta sofre. Cantei ontem o dia todo, umas sete horas de ensaio, mais uma gravação de um vídeo ( que conto em breve) que durou até a noitinha.

Lá no Show na Brasa, são onze músicas. Ou seja, tirando Cais, o disco todo.

Gravamos hoje, mas acredito que só vá ao ar na quinta-feira!